Vós mulheres, que sois criaturas encantadoras, inteligentes, provocadoras de emoções sensuais e sentem a luxúria da seda na vossa pele, mesmo sendo pequeninas sois sempre grandes demais, e deslizam com a mesma suavidade.
Vós que sabeis ver no homem, na sua maior nobre potência as suas escondidas fragilidades, e na sua prepotência num verdadeiro declínio, quando estai na vossa frente, babando em todo o seu desejo de olhos raiados pela paixão, são sempre frágeis demais, e é na vossa frente que quase não são ninguém.
Dizeis-me vós, mulheres que somos a vossa ilusão, crescente na desilusão dos vossos caprichos desejando sempre mais do que nos é pedido… exigindo!.. E dizei-los umas às outras constantemente, como se fosseis doutra condição e não se regendo às leis orgânicas do prazer. E dizeis que o homem tende o órgão na testa sempre pronto a tocar a mais rasca das melodias, só para agradar aos vossos caprichos de sedutoras desprevenidas… Dizeis-me se fôreis capazes, que farei eu quando ela se expõe toda a nu, no seu mais sensual desejo encarnado, despindo-se sensualmente, das vestes aos poucos com enorme e facilitada habilidade, provocando o fervor do sangue, que quase explode nas veias desorientadas sem saber por onde fugir, depois vislumbrando o cenário, todo aquele desejo reclamando por mim…
Numa pressa desgovernada, liberto-me das roupas para sentir a igualdade da pele, sufragado pelo mais louco desejo, e ela de seguida foge, foge a sete pés com a roupa na mão, dizendo que se tinha enganado, que ainda não está preparada, nem se dignando olhar para trás, para ver a minha triste figura… E eu, fico ali, estático, com cara de meliante mal acabado, com o sangue a querer-me explodir no rosto, ao vê-la fugir.
A masturbação não era uma condição, embora também seja um acto de amor, dizeis vós, bem sei, mas nunca me aguentei nessa resignação. Mas qual a imaginação que conseguirá alguma vez, enfrentar a realidade que me tinha acabado de fugir das mãos… Além de me tornar incómodo digerir uma paixão, não consigo fazer amor sozinho, sinto-me parvo demais quando me “venho”… Já experimentei, e considero pior do que um aborto, não gosto, e nunca gostarei de fazer amor sozinho.
Oh mulheres como vós, sois cruéis, por julgardes mal os homens apaixonados pelos seus desejos. E sabereis chorar, sempre sem o mínimo de razão. E fazerdes amor sem o mínimo pudor provocando, por vezes imensa dor na satisfação… Vós sois capazes de fingir orgasmos e nós homens, acreditamos que são reais. Parvos! Pensando que são oriundos das performances que acabámos de executar, e ficámos extenuados adormecendo em cima do vosso corpo, para sentir melhor todo esse vosso calor. E nunca entendem que é um acto de amor acabado em sexo que adormeceu na paixão.
Dizei-me mulheres inteligentes, como hei-de proceder para nunca mais acontecer, deixar fugir a mulher debaixo do meu olhar, toda nua com a sua roupa na mão, e eu ficar ali pregado ao chão, com as calças na mão, sem saber o que irei fazer provocado pelo acontecimento inacabado de tanta tensão? Com “n” ou sem ele…






